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... 4 meses depois do fim do namoro!

Ouvi-lhe a voz pela primeira vez depois do fim e estou aqui há meia hora embrulhada no meu próprio ranho e lágrimas. 

Realmente, devia ser proibido que eles fizessem anos nos 12 meses seguintes ao fim dos namoros, não se aguenta!

Fiz-lhe o típico telefonema de ex-namorada! Divertido e exuberante. Se ele for esperto saberá que neste momento estou aqui deitada em posição fetal a castigar os meus olhos. Mas não sabe. Não por não ser esperto, mas por eu ser exímia a vergar sem partir.  

De qualquer forma, ouvir-lhe a voz apertou-me os botões todos! Ouvir-lhe a voz, trocar as piadas íntimas habituais e ter de terminar a conversa antes que descambasse, coisa que ambos sabemos não pode acontecer. Só botões.

Ainda aguentei cerca de 1 hora depois de desligar o telefone. Mais valia ter-me enfiado logo na cama, isso sim. 

De qualquer forma, a catarse nunca fez mal a ninguém.

Tenho saudades, credo. 

Que saudades da ligação que tínhamos. Do humor e das graçolas. Dos mimos escondidos atrás do mau feitio. 

pausa para chorar.

Dói-me. 

[Como é que eu ainda estou assim?]

Não sei o que me passou pela cabeça para lhe ligar. Não sei como ainda me dói tanto. Não sei, não entendo. Pensei que isto estivesse muito mais resolvido. Nestes 4 meses já me apaixonei e chorei por outro. E agora estou aqui. Outra vez. A lamber esta ferida! Aliás, como é que esta ferida abriu assim de repente se a cauterizei a ferros?

Suponho que este meu amor morto se tornou tão doloroso que o recalquei. Suponho que o arrumei num canto da minha mente e coração e me recusei a sofre-lo mais. Estava difícil. Estava tão difícil que digamos, o Cosmos, me pôs uma paixão no caminho. Apaixonei-me e desviei o foco. Foi bom. Depois a paixão foi embora e também chorei. Suponho que estas ajudas cósmicas cheguem para aliviar um pouco o fardo e partam quando estamos de novo fortes e recompostos, capazes de seguir sozinhos. Assim foi. A paixão chegou no dia em que celebrava um mês do fim do namoro e partiu no dia em que celebrava três. Hoje celebro quatro. Gosto de datas.

Hoje volto a chorar o meu amor morto. Suponho que sejam umas lágrimas mais maduras, conscienciosas e libertadoras. Suponho que hoje estava preparada para elas. Para as ver chegar e partir. E aceitar. Este meu último amor fez-me ama-lo não tanto pelo que ele era, mas pelo o que eu era. Gostei da pessoa que fui a maior parte do tempo com ele. Amar bonito é amar a versão de nós que o outro espelha.

Depois… depois aconteceu vida. Separação, choro, agonia, dor. E dói-me a garganta e ardem-me os olhos.

Que nunca fiquem lágrimas por chorar. 

Quem diz que não se morre de amor, nunca amou como eu. 

Eu morro. Tenho pequenas mortes. A cada fim de um amor, morro-me um bocado. E faço luto por mim. E carpo-me. E consumo-me na ausência dessa parte de mim que se foi. 

Rosa LeBron

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publicado às 21:06



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