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“Obrigada.”

por Sobre.tudo, em 28.01.18

“Porquê?”

“Por me teres dado uma tampa.”

“Eu não te dei uma tampa.”

“Deste, sim. E eu quero agradecer-te por isso.

Tive uma recaída e tu soubeste quando recebeste a minha mensagem às 4h30 de uma destas madrugadas. Está tudo bem. As recaídas são normais. Especialmente aceitáveis quando um bom vinho tinto nos faz crer que o dia seguinte pode não amanhecer, pelo que, toda e qualquer acção deve ser tomada naquele preciso momento. Especialmente compreensíveis quando a salsa e o merengue nos invadem a alma recordando que a última vez que os pés deslizaram naquele ritmo foi nos teus braços. As recaídas são normais. Está tudo bem.

Quero agradecer-te por não me teres mandado logo embora. Por teres sido cooperativo com a minha recaída. Por teres até, num dado momento, passado a impressão que estavas na mood de recair comigo. Foi bom. Ninguém gosta de acordar com resquícios físicos de um bom vinho no corpo e levar logo uma nega. Pelo contrário, quando constatamos que o dia afinal amanheceu, sentimos logo um formigueiro instalar-se em várias partes do corpo e, antes de verificarmos o resultado do nosso último acto heróico da noite anterior, começamos antes o diálogo interno: ‘Calma. Não disseste nada que não fosse verdade. Foste honesta contigo e com ele e, se tiveste saudades dele, ele tem o direito de saber. Foi simpático teres mandado a mensagem, especialmente porque da última vez que falaram o ambiente não ficou muito saudável. Relaxa, está tudo bem, fizeste muito bem’. E repetimos o discurso apaziguador 33 vezes antes de desbloquear o telemóvel.

Eu gosto de ti e se tu quisesses hoje voltávamos.

As recaídas são assim mesmo, não te preocupes. Recaímos e depois, inevitavelmente, precisamos de algum tempo até que o efeito se desvaneça. Tenho a recaída completamente espalhada pelo meu corpo. Não possuo neste momento qualquer razão, estou dominada pela emoção, motivo pelo qual te agradeço a conscienciosa rejeição.

Não consigo imaginar o que nos podia ter acontecido se não tens deixado de me responder às mensagens sem te teres despedido! É assustador imaginar que podíamos mesmo ter chegado a combinar a aula de salsa - subterfúgio que criei para voltar a estar contigo. Imagina! Pensar que podíamos estar a sentir o cheiro, calor e respiração um do outro a uma proximidade que, dado o nível de recaída que possuo, me iria certamente provocar um aumento da tensão arterial!

Sempre soube que me estimavas e sei que esta tampa é tão unicamente mais uma demonstração do infinito afecto que tens por mim. Por vezes, o amor toma formas que nos parecem difíceis de compreender imediatamente, mas eu, à semelhança de Dalai Lama, sei que às vezes não se conseguir o que se deseja é um tremendo golpe de sorte.

Obrigada.”

Rosa LeBron

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publicado às 16:04

Quando três fazem um!

por Sobre.tudo, em 23.01.18

Há alturas na vida em que paramos, olhamos para trás e tomamos consciência que passaram 4 anos.

4 anos.

Constatamos que durante esses 4 anos passaram três homens pela nossa vida. (Na verdade foram cinco. Não querendo desfazer dos outros dois, concentremo-nos nestes três)!

Quando finalmente temos coragem de encerrar o último capítulo destes 4 anos, sentamo-nos a meio da cama, com uma perna cruzada e a outra esticada, abraçamos uma almofada, recostamo-nos na cabeceira e, olhando o infinito (a parede em frente), surge a epifania: estive sempre com a mesma pessoa, só mudou o nome!

(emoji azul com as mãos na cara!)

Um loiro de olhos azuis, baixo. Médico, bem-sucedido, viajado e a residir noutro país.

Outro alto, moreno de olhos escuros. Responsável por uma equipa na área informática, frequência universitária, mas não licenciado, a residir noutro continente (sim, outro continente).

O terceiro, muito alto, mulato e careca. Responsável por uma equipa na área do retalho, 9º ano a residir no mesmo país.

Os três fortes, independentes, de sorrisos generosos. Os três com sentido de humor apurado, mãos decididas e sexo determinado.

Apaixonei-me perdidamente pelos três.

Estava tudo certo não tivesse vivido com os três uma história semelhante. Demasiado semelhante. O problema dos padrões é que até que os resolvamos, continuamos invariavelmente a atrair o mesmo perfil de relacionamentos e a sensação é que vivemos apenas uma relação com pessoas de nomes diferentes.

Há vários motivos que nos levam a entrar numa espiral padronizada de relacionamento. O meu não foi falta de tesão, foi falta de perseverança (ou paciência mesmo!). A questão é que, sair de uma paixão quando ela começa a ficar muito difícil só me fez entrar na seguinte para continuar o que tinha deixado para trás!

Profundo respeito por estas pessoas que fizeram parte da minha vida e com quem tive momentos e orgasmos verdadeiramente inesquecíveis!! A epifania não os desmerece.

Foram seres únicos na sua individualidade, sendo que, na minha vida actuaram como um todo contínuo. Sinto saudades dos três. Taquicardia quando um deles me contacta. Consigo facilmente imaginar-me a voltar a ter sexo com qualquer um dos três (apesar de escolher não o fazer).

Agora que sinto o ciclo encerrado e estas lições integradas sorrio com um ar velhaco quando, na parte mais secreta da minha mente, imagino que talvez os três em simultâneo (e não estou a falar de sexo!) dessem um excelente um. Mas este é só um pensamento galdério, perdoem a minha mente conspurcada! 

Mafalda Cassi

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publicado às 23:27

Leonardo Sobral

por Sobre.tudo, em 21.01.18

O Leonardo (leonardosobral@outlook.pt) gosta de escrever sobre coisas.

Ganhou, basicamente, o direito a escrever sobre tudo aquilo que quiser: social, existencial, político, ambiental. Tudo o que ele conseguir encaixar dentro do tema ‘coisas’ que, sem esforço, tomou para si.

Fiquei deliciada quando me coube a mim apresentá-lo! É um amigo próximo do meu coração.

Eu consigo estar com ele sempre que quero porque ele me adora (risos), mas é muito restrito o seu círculo. Por vezes, excessivamente restrito, parece-me. É extremamente afável. Quando se prontifica a uma conversa banal é uma delícia, mas raramente se prontifica. Eventos sociais? Sim, mas só com as pessoas que ele realmente estima. Conhecer novas pessoas, para ele, implica um esforço que, na grande maioria das vezes, não está disposto a encetar. Tem um núcleo muito próximo de pessoas com quem se dá regularmente e o resto do tempo passa-o consigo próprio.

Posso encontrá-lo facilmente numa esplanada marítima a escrever ou a ler. Fica lá horas a fio sem se preocupar com o tempo que passa. Não há melhor forma para passar o tempo, aliás. De vez em quando, pousa o livro ou a caneta e fica só a olhar. Perde-se. E depois reencontra-se.

Estou sempre a vê-lo esquivar-se de convites para cafés, jantares ou outros encontros e eventos. É extremamente resistente, mas, sempre que vai, que se predispõe, volta feliz e com a mesma frase ‘Tenho de fazer isto mais vezes!’ só para, de seguida, voltar para o seu mundo e vida solitários como ele aprecia.

Jazz, R&B, soul são os tons que costumam acompanhar as nossas conversas de horas. Vinho tinto em copo alto e verdadeiras dissertações sobre tudo. É introspectivo e muito pouco social, sim, mas quando nos acolhe no círculo passamos a ter acesso a um mundo diferente daquele que as pessoas comuns nos dão a conhecer. É tão genuíno, tão leve na sua infinita profundidade e tão positivo.

Não vai com a massa nem é de modas. Pega na moda depois de ela já ter passado e encoraja-a a um último fulgor. Não aceita a opinião comum, ouve-a, considera-a para lhe dar foco, mas contorna para poder elaborar a sua. Acredito que a constante desidentificação seja um volume difícil de carregar a todo o tempo. Não há descanso nem entrega na desidentificação, pelo contrário, há uma constante e infrutífera busca. De qualquer forma, ele faz um caminho tão coerente que permite aos que o rodeiam identificar-se com ele, portanto, enquanto o seu caminho continua tortuoso, o nosso vai ganhando lisura!

Uma alma solitária que faz uma companhia incrível!

Rosa LeBron

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publicado às 15:56

Sobre a morte.

por Sobre.tudo, em 18.01.18

A morte confirma a vida.

Impõe o desapego.

Se o morto for muito próximo, sentimos dores físicas. Se o morto for relativamente próximo, experimentamos antes uma sensação de apatia. Estamos tristes, mas não desesperados. Preferíamos que não tivesse partido, mas fizemos a despedida convenientemente. Estamos conscientes do ciclo vida-morte, aceitamo-lo como seres racionais que somos. Tentamos apaziguar a dor daqueles de quem o morto era muito próximo. Sentimos as dores deles que acabam por nos doer também. Choramos com eles e sentimos o seu desespero bem no epicentro da nossa apatia.

Esta apatia é um terreno fértil de reflexão de morte-vida.

Reflito. Não. Imagino a minha morte.

Tenho 90 anos e estou lúcido. Perdi a minha mulher, companheira de uma vida há quase uma década e desde então a vida perdeu quase toda a cor. Os últimos anos passei-os num espaço quentinho, rodeado de outras pessoas da minha faixa etária. Um espaço higienizado, com relativa dose de silêncio e barulho onde me alimentam e medicam. Fui eu que escolhi este local para a última fase da minha vida. Quando ainda era um jovem espadaúdo e comecei a tomar consciência da minha finitude, tomei algumas decisões. Uma delas foi escolher o local onde queria passar os últimos anos da minha vida. Sempre fui independente e a ideia de confiar essa decisão a terceiros começou a corroer-me por dentro. Ainda não tinha filhos quando comecei a refletir estas questões e, mesmo que tivesse, não queria deixar-lhes a eles o fardo desta decisão e muito menos, tornar-me no fardo. Não. Não era assim que queria terminar os últimos anos da minha vida.

Queria mar. Sempre quis. Sempre soube que não podia morrer longe do mar. Assim, hoje, aqui estou. Sentado numa cadeira confortável defronte para este mar imenso. A manta protege-me desta brisa primaveril que todos os jovens sentem quente, mas que eu e os meus já fracos ossos sentimos com respeito. Inspiro e expiro. Todos os dias revejo a minha vida, as minhas decisões, as minhas consequências. Sempre quis ter uma vida significativa e sinto um alívio imenso por chegar aqui, a estes 90 anos, e me sentir tão preenchido. Posso partir a qualquer momento, sinto-me verdadeiramente realizado. Inspiro e expiro. Não escondo um nervosismo latente quando penso nesta partida. À semelhança de outros, não sei o que me espera do lado de lá. Não sei se tenho efetivamente alguém à minha espera, não sei se poderei voltar a ver o sorriso dos meus filhos ou a gargalhada dos meus netos. Sei que estou cansado de sustentar este corpo. Sei que a cada visita da minha doce família fico mais cansado. Tão cansado que só sorrio. Eles sabem. Eles sabem que eu vivi muito e que agora posso simplesmente passar os dias a olhar o mar e a sorrir. Noutros tempos escrevia. Sempre escrevi melhor defronte para o mar. Mas hoje já não. Hoje sinto as histórias concluídas.

Ainda há, no entanto, uma história cujo destino já não será o papel. É sobre a morte do meu corpo físico e o que me irá acontecer de seguida. A religião sempre ajudou os fiéis a não temer este momento que agora sinto tão próximo, mas eu há muito deixei de ser fiel. E temo-o. Não me parece que haja forma de não temer a morte, especialmente se a vida tiver sido preenchida e generosa. Sempre me apaziguou a ideia de um extenso campo verde, com árvores frondosas e pessoas sorridentes vestidas de branco. Esta imagem gravei-a de uma novela da rede Globo e pode perfeitamente retratar a visão cristã e islâmica do paraíso. Cristãos e muçulmanos empenham-se numa vida de bem sabendo que a recompensa será uma estadia de longa duração no paraíso até ao dia do Juízo Final, altura pela qual se dará a ressurreição. As almas purificadas retornam aos seus corpos humanos e dá-se início a uma prazerosa vida eterna.

Budistas e hinduístas têm uma visão diferente. Alicerçados no mesmo necessário bom desempenho humano, a alma migra para outro corpo após a morte do corpo físico. Esta reencarnação será tanto mais agradável quanto o comportamento em vida do portador, ideia que me ajudou a ‘aceitar’ as injustiças e sofrimentos a que assistimos todos os dias.

Como já vem sendo hábito, não me identifico totalmente com nenhuma das generosas hipóteses avançadas pelas principais religiões, pelo que, essa será a última história que elaboro - o que me aconteceu após a morte do meu corpo físico. 

Mas isso será só quando tiver 90 anos. Hoje não tenho tempo, preciso ir enterrar o meu avô que faleceu há pouco. Tinha 90. 

Leonardo Sobral

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publicado às 16:07

Mafalda Cassi

por Sobre.tudo, em 13.01.18

A Mafalda (mafaldacassi@outlook.pt) gosta de escrever sobre sexo e paixão.

Somos confidentes há tempos imemoriais e, portanto, atrevo-me a dizer que a Mafalda hoje em dia, para além de gostar de escrever, também gosta de fazer.

A Mafalda é a alegria de qualquer encontro. Fogosa, de riso fácil!

Faz entradas triunfais e delicia-se ao despoletar olhares duplos (aqueles em que alguém passa o olhar, é emitida a informação ao cérebro e, quando a pessoa já está a desviar a atenção para qualquer outra coisa, o cérebro diz ‘quero ver isto outra vez!’). Qualquer pessoa que lhe dedique um olhar duplo (velho, novo, homem, mulher, bonito, feio!), é brindado com um sorriso reconhecido.

É uma sedutora. Fisicamente é uma mulher bastante completa, mas o que a distingue é tão somente a sua presença. Preenche um espaço. É harmoniosa.

Tem um grande sentido de humor e de oportunidade. Sabe ser engraçada e adora que lhe achem graça. Muitas vezes se excede, deixando-se levar pelas risadas alheias e passando a fazer uso do seu inconfundível tom gozão. Pode magoar e já o fez.

A Mafalda é muito atenta aquilo que pensam dela e, nesse sentido, muito preocupada com a imagem que passa. Preocupa-se com o que veste, como se penteia e nenhum pormenor é descurado. Quando sai de fato treino o ar descontraído foi pensado previamente, portanto, a descontração é unicamente aparente. Não é uma mulher relaxada nem prática. É stressada e ansiosa e o seu combustível diário é o reconhecimento externo. Consegue, muitas vezes, ser bastante frívola.

Gosta de bens materiais e valoriza a sensação de adquirir algo novo, sejam velas, roupa, sapatos, móveis, carros, casas ou viagens. É uma mulher bastante bem resolvida. Está ciente da sua superficialidade e aceita-a (com profundidade!), o que lhe confere um poder inestimável na gestão da sua autoestima. Se usa um batom vermelho sabe exatamente o impacto que vai ter, porque lhe interessa esse impacto, seja positivo ou negativo. O negativo só não a afeta quando está preparada para ele o que acontece na generalidade das situações. O exterior e as aparências são importantes a este ponto!

A Mafalda é desafiadora, irreverente e por vezes, conflituosa. Por detrás do sorriso generoso e dos modos delicados, esconde um desejo constante de vitória. Gosta, inclusive, de discutir! Construtivamente, segundo diz. Enche-se de adrenalina de cada vez que é desafiada e não se rende com facilidade. Gosta de vencer as discussões e a maioria das vezes vence, - por cansaço do opositor. Tem sempre uma palavra a dizer, uma frase a distorcer e, se for caso disso, uma farpa a lançar.

É extremamente forte e independente e só mostra o seu lado mais brilhante, motivo pelo qual é muito difícil não gostar dela!

Martina Eça

 

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publicado às 14:07


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