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Independência & Liberdade

por Sobre.tudo, em 06.06.18

Não há ninguém no mundo, actualmente, que dependa de mim para o que quer que seja, e acho isso, simplesmente, fantástico. Acredito que não haja sequer ninguém que precise de mim e continuo a deliciar-me com essa ideia. Claro que as pessoas gostam de mim e da minha companhia e que preferem ter-me por perto, mas a verdade é que nenhuma vida seria substancialmente abalada se eu hoje decidisse partir. Não é incrível?

Sinto-me tão livre!!

Vivo num estúdio meticulosamente decorado no centro da capital. Sou completamente viciada neste espaço que é meu, a minha cara e a minha casa. Tudo aqui foi pensado por mim e criado para mim. Não houve opiniões terceiras nem a aborrecida necessidade de conjugar gostos. Não. Tudo à minha medida.

Não há, portanto, um Sr. Mafalda Cassi. Um Sr. Mafalda Cassi, aliás, a tempo inteiro, agora, neste meu canto não é a ideia que mais me encante. Também não há Mafaldinhos e Mafaldinhas e a tendência é que me convença cada vez mais que, talvez a minha missão passe ao lado da maternidade. Já fui, portanto, mais maternal do que à data. A minha mãe é autónoma e os meus irmãos também.

Ninguém precisa de mim para nada! Sou completa e estupidamente livre e independente.

Fui recentemente promovida, tenho uma situação financeira estável e uma rede de amigos que me acompanha e distrai. Posso ter sexo quando eu quiser o que é deveras importante para a sanidade e auto-estima de uma mulher. Se estivermos muito tempo sem sexo que seja sempre por nossa opção! Assim é comigo!

Sinto que estou numa daquelas fases bliss de vida.

Tenho as minhas arrelias e maus humores, claro, mas de um modo geral acordo com um sorriso e deito-me com outro.

Há coisas hoje que me preenchem que noutros tempos me fizeram sofrer horrores. Levei muitos anos a chegar ao ponto em que estou hoje e nem tinha dado conta de que já cá estava…

Enche-me de prazer sair do trabalho e não ter ninguém à minha espera! Poder vir tranquila para casa, meter a chave à porta e saber que ela vai estar exactamente da mesma maneira que a deixei de manhã. Ligar a um amigo de última hora e desafia-lo para imperiais de final do dia sem ter de perguntar ou comunicar a ninguém. O silêncio. O silêncio que preenche a minha casa, preenche-me a alma. Comer o que quero, se quero, quando quero. Não ter ninguém a perguntar-me ‘O que estás a fazer?’. Andar sozinha num jardim, ir sozinha à praia. Escolher estar sozinha quando tenho várias opções para estar acompanhada.

Nunca consegui fazer nada sozinha. 4 anos de casamento coroaram a minha total dependência e em 5 anos de divórcio constato, hoje, a minha total emancipação.

Nunca acreditei que isto que se diz fosse real. Sempre considerei que quem se dizia feliz sozinha era na realidade um bocado desgraçada. Nunca cogitei que isto pudesse ser uma opção de vida. Hoje cogito. Gosto obviamente, de manter as minhas opções em aberto, mas não posso ignorar o facto de hoje, sim, me sentir absolutamente realizada sozinha.

Ninguém precisa de mim para nada e adoro que assim seja!

Mafalda Cassi

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publicado às 19:52

Como eu me apaixono: (dois pontos) v1

por Sobre.tudo, em 05.06.18

Este pode ser um capítulo isolado ou o início de toda uma nova série. Por via das dúvidas, assinalo-o com v1.

Estou quase a apaixonar-me. É um vício meu, este, de me apaixonar, além de que é Primavera, quase Verão, e devia ser proibido que alguém passasse esta fase do ano sem ser ocupado a apaixonar-se! Eu, basicamente, já estou apaixonada pela ideia de que estou quase a apaixonar-me!

Não me é possível iniciar novas histórias sem que, para trás, esteja tudo devidamente arrumado. Por esse motivo, fiz o luto das minhas antigas paixões. Depois, fiz o luto do luto porque não tinha mais nada com que ocupar a minha cabeça e suponho que, nesta altura, já esteja tudo bem resolvido, o que significa que… estou absolutamente disponível para me apaixonar outra vez!

Eu quero crer que sou um alvo recorrente de Cupido.

O Deus da Paixão na mitologia romana, filho de Vénus (Deusa do Amor e da Beleza) e de Marte (Deus da Guerra), viveu uma incrível e feliz história de amor com Psique (Deusa da Alma). Como até à data as minhas histórias de amor foram só incríveis (felizes, qb!), posso perfeitamente acreditar que ‘agora é que é!’.

Sou uma crente! E uma romântica!

Há uma coisa que não se me pode pedir: para viver o momento! Para não criar expectativas ou para não pensar no futuro! Vejamos, esta é a fase que eu mais gosto das minhas histórias de amor, a parte em que idealizo tudo, em que imagino como será, que fabulizo. Dizerem-me para vivermos um dia de cada vez é espetarem-me uma estaca profunda. Há mínima sensação de que estamos numa de ‘viver só o presente’, se é que me faço entender, vou-me logo embora! O que me acende por dentro é a história, é a possibilidade, é o romance. Na sua ausência nada me motiva a ficar ali.

Na fase em que me encontro, apaixonada pela perspectiva de me estar quase a apaixonar, estou absolutamente livre para fabulizar tudo!

Tudo começou quando acordei uma destas manhãs e constatei que todas as minhas histórias de amor estavam mais que arrumadas. Já não havia espaço nenhum nem para amar nem para sofrer! Instalou-se um grande vazio!! Sorri.

Depois, percebi que comecei a ir trabalhar todos os dias com um novo brilho! Também as pessoas com quem me cruzava foram ganhando um novo brilho! Tendo a sorte de trabalhar no 11º piso de um edifício de escritórios, comecei a reparar nos possíveis candidatos que dividiam o elevador comigo… Não tive muita sorte. Estava à procura do click. Estava à procura de esbarrar nele quando me estivesse a virar no refeitório, por exemplo. Não só nunca mais esbarrava em ninguém como não encontrava ninguém em quem querer esbarrar. Avaliei um possível candidato. Não se revelou muito promissor pois depressa percebi que tinha família, além de que, era meu colega e, digamos, ‘onde se ganha o pão, não se come a carne’. Eu quero uma história limpa.

A minha possível história começou a formar-se dias mais tarde.

Fui ao departamento de informática e reparei num dos nerds que lá estava. Snob de olhos azuis, tão recostado na cadeira que quase caía. Ignorou-me, suponho que nem me sorriu, mas eu vi-o.

Na semana seguinte, nova indicação de que teria de ir aos IT’s. Já fui ligeiramente condicionada. Sorriu-me, suponho, mantendo os mesmos níveis de snobismo. Nada contra, pelo contrário. Quando regressamos ao escritório, a colega que me havia acompanhado, chamou-me alegremente. ‘Rosa, vem ver isto!’. Era ele que a questionava sobre quem eu era!

Iluminei-me toda!

Daí em diante, na posse da privilegiada informação de que o meu interesse era correspondido, os meus níveis de condicionalismo aumentaram substancialmente. Cupido começou então a fazer o seu trabalho. Tenho vindo ter imensos problemas informáticos! É verdade! E não sou eu que os provoco, tivesse eu know-how para tal coisa! É mesmo o Cupido! E quando ligo para a linha de apoio, Cupido direcciona a chamada, naturalmente, para o terminal dele! Quando lhe liguei hoje e me identifiquei ele disse-me qualquer coisa como ‘A sério? Eu devo ter um íman que atrai as tuas chamadas!’…

Para além do problema nos ter feito estar 1 hora em linha sem que tivesse ficado resolvido (o que vai originar novos e necessários contactos nos próximos dias), iniciámos conversações de aproximação.

Estou a sorrir-me toda a escrever isto!

É tão gira esta fase! E eu que pensei que já estivesse cansada de viver isto! Não! Nada disso! Acho que posso viver isto outra vez! Conversações de aproximação! São assim perguntas como ‘O teu apelido é norte-americano?’ ou frases como ‘Vou deixar-te trabalhar’!

Estamos aqui.

Estou apaixonada pela ideia de que posso estar quase a apaixonar-me!

Rosa LeBron

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publicado às 19:02


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