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Como eu me apaixono: (dois pontos) v1

por Sobre.tudo, em 05.06.18

Este pode ser um capítulo isolado ou o início de toda uma nova série. Por via das dúvidas, assinalo-o com v1.

Estou quase a apaixonar-me. É um vício meu, este, de me apaixonar, além de que é Primavera, quase Verão, e devia ser proibido que alguém passasse esta fase do ano sem ser ocupado a apaixonar-se! Eu, basicamente, já estou apaixonada pela ideia de que estou quase a apaixonar-me!

Não me é possível iniciar novas histórias sem que, para trás, esteja tudo devidamente arrumado. Por esse motivo, fiz o luto das minhas antigas paixões. Depois, fiz o luto do luto porque não tinha mais nada com que ocupar a minha cabeça e suponho que, nesta altura, já esteja tudo bem resolvido, o que significa que… estou absolutamente disponível para me apaixonar outra vez!

Eu quero crer que sou um alvo recorrente de Cupido.

O Deus da Paixão na mitologia romana, filho de Vénus (Deusa do Amor e da Beleza) e de Marte (Deus da Guerra), viveu uma incrível e feliz história de amor com Psique (Deusa da Alma). Como até à data as minhas histórias de amor foram só incríveis (felizes, qb!), posso perfeitamente acreditar que ‘agora é que é!’.

Sou uma crente! E uma romântica!

Há uma coisa que não se me pode pedir: para viver o momento! Para não criar expectativas ou para não pensar no futuro! Vejamos, esta é a fase que eu mais gosto das minhas histórias de amor, a parte em que idealizo tudo, em que imagino como será, que fabulizo. Dizerem-me para vivermos um dia de cada vez é espetarem-me uma estaca profunda. Há mínima sensação de que estamos numa de ‘viver só o presente’, se é que me faço entender, vou-me logo embora! O que me acende por dentro é a história, é a possibilidade, é o romance. Na sua ausência nada me motiva a ficar ali.

Na fase em que me encontro, apaixonada pela perspectiva de me estar quase a apaixonar, estou absolutamente livre para fabulizar tudo!

Tudo começou quando acordei uma destas manhãs e constatei que todas as minhas histórias de amor estavam mais que arrumadas. Já não havia espaço nenhum nem para amar nem para sofrer! Instalou-se um grande vazio!! Sorri.

Depois, percebi que comecei a ir trabalhar todos os dias com um novo brilho! Também as pessoas com quem me cruzava foram ganhando um novo brilho! Tendo a sorte de trabalhar no 11º piso de um edifício de escritórios, comecei a reparar nos possíveis candidatos que dividiam o elevador comigo… Não tive muita sorte. Estava à procura do click. Estava à procura de esbarrar nele quando me estivesse a virar no refeitório, por exemplo. Não só nunca mais esbarrava em ninguém como não encontrava ninguém em quem querer esbarrar. Avaliei um possível candidato. Não se revelou muito promissor pois depressa percebi que tinha família, além de que, era meu colega e, digamos, ‘onde se ganha o pão, não se come a carne’. Eu quero uma história limpa.

A minha possível história começou a formar-se dias mais tarde.

Fui ao departamento de informática e reparei num dos nerds que lá estava. Snob de olhos azuis, tão recostado na cadeira que quase caía. Ignorou-me, suponho que nem me sorriu, mas eu vi-o.

Na semana seguinte, nova indicação de que teria de ir aos IT’s. Já fui ligeiramente condicionada. Sorriu-me, suponho, mantendo os mesmos níveis de snobismo. Nada contra, pelo contrário. Quando regressamos ao escritório, a colega que me havia acompanhado, chamou-me alegremente. ‘Rosa, vem ver isto!’. Era ele que a questionava sobre quem eu era!

Iluminei-me toda!

Daí em diante, na posse da privilegiada informação de que o meu interesse era correspondido, os meus níveis de condicionalismo aumentaram substancialmente. Cupido começou então a fazer o seu trabalho. Tenho vindo ter imensos problemas informáticos! É verdade! E não sou eu que os provoco, tivesse eu know-how para tal coisa! É mesmo o Cupido! E quando ligo para a linha de apoio, Cupido direcciona a chamada, naturalmente, para o terminal dele! Quando lhe liguei hoje e me identifiquei ele disse-me qualquer coisa como ‘A sério? Eu devo ter um íman que atrai as tuas chamadas!’…

Para além do problema nos ter feito estar 1 hora em linha sem que tivesse ficado resolvido (o que vai originar novos e necessários contactos nos próximos dias), iniciámos conversações de aproximação.

Estou a sorrir-me toda a escrever isto!

É tão gira esta fase! E eu que pensei que já estivesse cansada de viver isto! Não! Nada disso! Acho que posso viver isto outra vez! Conversações de aproximação! São assim perguntas como ‘O teu apelido é norte-americano?’ ou frases como ‘Vou deixar-te trabalhar’!

Estamos aqui.

Estou apaixonada pela ideia de que posso estar quase a apaixonar-me!

Rosa LeBron

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publicado às 19:02



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