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Rosa LeBron

por Sobre.tudo, em 20.12.17

A Rosa (rosalebron@outlook.pt) gosta de escrever sobre o Amor.

É uma alma luminosa e iluminada, parece-me. Jamais alguém a devia fazer verter uma lágrima que fosse (apesar de ficar lindíssima quando chora). E se chora. Chora imenso. É um mar de emoção. Ri exactamente na mesma medida que chora. Consegue, inclusive, fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Apaixona-se com incrível facilidade. Consegue fazê-lo diariamente e em simultâneo. Apaixona-a o sorriso de uma empregada gentil. O pássaro preto de bico amarelo. O som da água a correr. O cheiro de café fresco. O sol nas sardas. E sorri. E espalha aquele ar colegial e leve por onde passa, qual alegria de criança.

Lamentavelmente, também se deprime com a mesma facilidade. O lixo jogado deliberadamente ao chão, o toque injusto de uma buzina, a ausência continuada de silêncio, podem perfeitamente levá-la às lágrimas.

É a pessoa mais amorosa, adorável e carinhosa que conheço. Mima sem adular. Cuida sem impor. Dá antes que saibamos que precisamos. É o típico porto de abrigo, onde sabemos que vamos estar sempre seguros e protegidos caso alguma catástrofe aconteça.

Mas chora. E sofre. Se sofre. É excessivamente emocional, magoa-se com infinita facilidade e tem muito pouca resiliência à dor.

Usa a fantasia como escape, motivo pelo qual a encontramos frequentemente desfasada da realidade. Cria, inventa e acredita em versões alternativas à realidade para atenuar as dores, caso contrário, já não estaria entre nós.

É de perdão simples pois sabe que perpetuar uma situação imperdoável é perpetuar a dor e dessa ela foge tanto quanto pode. Perdoa, mas afasta-se. E chora. Se chora.

Possui uma beleza ímpar, mas a reciprocidade a este nível nunca foi condição imposta nos seus muitos envolvimentos amorosos. Também já amou diferentes estratos sociais, raças, nacionalidades, habilitações académicas. Procura, silenciosamente, protecção. É insegura e exige imensa atenção para ter a certeza que é amada.

Mesmo assim, é adorada em todos (e por todos) os seus amores pois só ela não vê o que desperta nas pessoas. Ninguém é capaz de lhe ficar indiferente. Mesmo fazendo imensas tropelias é bastante amada por aqueles a quem se dá, nunca se dando a ninguém por completo. Termina todos os amores magoada. Dorida. Deprimida. E chora. Se chora.

Mas isto é só quando terminam. No tempo restante da sua vida, vive em loopings vertiginosos de arco-íris, elegantemente montada no seu unicórnio branco!

Verónica de Medeiros

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publicado às 12:37



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