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Trabalhar em casa. Ou não.

por Sobre.tudo, em 15.12.17

O meu chefe diz que eu posso trabalhar em casa e eu acho isso o máximo!

Fiquei em casa na passada quarta-feira e já me preparo para não vir ao escritório na próxima segunda-feira. (Por favor, imaginem-me agora a esfregar as mãos com ar de chica esperta). 

Se funciona?

Bom, para a roupa que lá tenho para lavar e passar funciona que é uma maravilha! Também funcionou para repor as minhas horas de sono naquela manhã! Por fim, funcionou muito bem para a minha sanidade mental, para não pensar muito em nada e quando me dignei a pensar, fi-lo sobre temáticas bem mais agradáveis que trabalho. 

A verdade é que durante a passada quarta-feira fiz o mínimo indispensável para parecer que tinha feito alguma coisa. 

Julguem-me, por favor. 

Sou uma péssima colaboradora. Não tenho responsabilidade nenhuma. Pois. 

- Chefe, não funciona. 

Não, não lhe disse isto. Partilho só convosco. 

- Não funciona da mesma forma que não funciona deixares-me completamente sozinha no escritório e em paralelo a isto pagares-me ligeiramente acima do ordenado mínimo por trabalho qualificado. 

Pois. 

- O meu brio profissional anda a par do meu recibo de vencimento. Desculpa lá isso. 

Para mim, que estudo estas questões - liderança e (des)valorização dos recursos humanos - é tão óbvio que até me aborrece explicar isto ao meu chefe. Andei um mês a apresentar serviço de forma entusiasta enquanto aguardava (pacientemente) que ele me fizesse uma proposta de vencimento de acordo com as funções de responsabilidade que estava a desempenhar. Quando me cansei de esperar, fiz-lhe eu uma proposta. A resposta foi simpática. 

- Não. 

Certo. 

Por uma questão de ética informei-o que ia começar a procurar outro emprego e não me escusei a ouvir:

- Verónica, tu já viste que as pessoas agarram qualquer coisa. Pelo que estás a receber qualquer pessoa faz o que tu fazes. 

Ok ok, ninguém é insubstituível, mas importam-se de não nos pôr a todos na mesma forma?!

O meu chefe é um querido e claro, disse-me isto tudo de forma doce e gentil, tipo:

- Querida, tu és boa, mas não és a única. 

Muito gentil. 

De qualquer forma, desde então fiquei um nadinha mais relaxada, confesso. Sempre cheia de dilemas morais, pesos de consciência e auto-julgamentos, mas mais relaxada, sim. 

A verdade é que já não estou aqui.

Bom, mas isto para dizer aos leitores chefes que:

- Se querem mesmo 'explorar' os vossos funcionários, não os deixem trabalhar a partir de casa! Eles em casa não fazem nada. No escritório sozinhos e mal pagos, também não fazem nada. Escrevem posts a falar do quão não fazem nada quando vocês não estão cá. É lamentável. A solução passa por dispensar este funcionário que não faz nada, mas...infelizmente o próximo também só se vai matar pelo brio até perceber que o seu trabalho não é valorizado. Quando se aperceber, bom... quando se aperceber começa a fazer mais por si e menos pela empresa, o relaxado.

O meu chefe é um querido e eu gosto dele. Só acho que ele não percebe nada da fruta. De qualquer forma, no dia em que um funcionário diga que o chefe percebe da fruta o sol nasce à noite, portanto, eu devo ser só mais um dos milhares que acham que sabem, mas não sabem porra nenhuma. Uma relaxada, isso sim.

Verónica de Medeiros

 

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publicado às 13:54



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